Azar no Trânsito (e na Justiça)

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Aproveitando que acabei de relatar minha mais nova incursão judicial contra a TAP e para tentar extravasar um pouco da raiva que sinto toda vez que me lembro deste fato, vou escrever um pouco sobre minha imensa sorte no trânsito e na justiça.

Era uma noite quente de verão em Patos-PB no já longínquo ano de 2004. Eu era professor no curso de Sistemas de Informação da FIP e depois de mais uma jornada de trabalho estava dormindo, me preparando para pegar os 300 Km de estrada no dia seguinte na volta para João Pessoa.

Foi quando um colega que dividia apartamento comigo me acordou e perguntou se o Peugeot 206 prata que estava estacionado na rua era meu.  Eu, ainda sonolento, confirmei, dizendo que tinha acabado de comprar o carro. Foi ai que ele realmente me acordou dizendo “Desse lá que bateram no seu carro.”

Desci para encontrar meu carro com a lateral do lado do motorista completamente destruída e apenas uns dois curiosos olhando para o carro. Nada do causador do acidente.

Acionei a polícia e comecei a “investigar” o caso conversando com os transeuntes. Conversai vai conversa vem, alguém diz, “Foi um fusca branco”, outro fala, “Ele deu um cavalo de pau no meio da rua e bateu no seu carro” , um terceiro diz “Ele bateu e fugiu para o bairro tal” e, por último, um rapaz de bicicleta diz: “Eu acho que sei quem foi. Vou ali e volto já”.

Quinze minutos depois o rapaz da bicicleta volta e diz. “Foi ele mesmo. O Fusca está lá batido na garagem da funerária”.

Funerária, perguntei. E ele confirmou. “Sim, é o carro do dono da funerária.”

A esta altura a polícia já estava no local e foram até a tal funerária para investigar oficialmente o caso.

Meia hora depois vem junto com a polícia um senhor de cerca de 60 anos com cara de sono.

Ao chegar, ele confirmou que realmente foi o carro dele que se envolveu no acidente (CAVALO DE PAU NO MEIO DA PRINCIPAL AVENIDA DA CIDADE DESTRUINDO UM CARRO ESTACIONADO CORRETAMENTE EM LOCAL PERMITIDO) e afirmou que se compadecia muito do meu prejuízo.

Neste momento, me controlando para não pular no pescoço dele, eu informei que meu carro tinha seguro e queria apenas que ele arcasse com o valor da franquia para que o carro fosse reparado.

Ele então disse que não iria pagar nada e foi embora.

De posse do laudo da perícia, confirmando o maravilhoso cavalo de pau no meio da avenida, acionei judicialmente o senhor CICERO ALVES CAVALCANTE, proprietário do veículo e da funerária Cristo Rei, e seu filho, LEONARDO SILVA CAVALCANTE, condutor no momento do acidente, mais conhecido como o vândalo das igrejas de Patos.

Resumindo uma longa jornada jurídica de quase 8 anos, depois de uma rodada infrutífera de negociação, em que os réus se ofereceram para pagar a ação com urnas funerárias, eles foram condenados ainda em 2005 a me pagarem uma indenização de R$ 4.672,17.

Final feliz? Nem tanto. Até hoje, dia 29/01/2013 eu não recebi sequer R$ 1,00 dessa ação e o processo continua rolando na justiça. Resumindo em uma única palavra: putaqueopariucaralhodeasas.

Porém, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, não é?

Ledo engano. A história parece estar prestes a se repetir.

No final do ano passado eu estava parado em um semáforo em Campina Grande quando um caminhão desgovernado veio descendo um viaduto e bateu em dois carros, incluindo o meu.

Solicitei novamente apenas o pagamento do valor da franquia para reparar meu carro e dessa vez, para minha alegria, o proprietário concordou com esse acordo.

Finalmente um final feliz?  Longe disso. Três meses depois, já com o carro reparado e o prejuízo consumado, não consigo mais contato com o proprietário do caminhão.

Resultado: vem ai mais uma ação na justiça para tentar recuperar um pouco do prejuízo que mais esse acidente me causou.

Felizmente, em ambas as situações, ninguém, além do meu bolso, saiu ferido.